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MATÉRIA JORNAL A TARDE, 17/10/04



Arte de rua ataca

“Todas as manifestações ligadas à cultura de rua serão bem-vindas, até a hora do evento surgirão novos participantes que se integrarão às ações programadas”.

Reportagem: Andréa Lemos

A partir de hoje, quem passar pelo bairro do Rio Vermelho com um olhar mais atento e curioso vai perceber algo diferente na Praça Brigadeiro Faria Rocha, próxima à Rua Oswaldo Cruz.
O local sofrerá a intervenção de alguns artistas da cidade: pinturas no chão, grafite, adesivos e pôsteres nos postes, stencil, pintura mural e o que ocorrer.
A iniciativa está sendo chamada de ATTACK +. O símbolo da soma é para reforçar que a invasão é positiva. A intenção dos artistas é fazer arte fora das quatros paredes, a chamada street art, expressão contemporânea que tem linguagem própria e o objetivo e “reconfigurar o cotidiano anestesiado da cidade”, como afirma a artista plástica e ativista cultural Andréa May, organizadora do ATTACK +.
A intervenção acontece em ruas, avenidas e praças de mais cinco capitais brasileiras – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Aracaju e Campinas –, com a participação de aproximadamente 500 artistas.
O tom de modernidade envolve o evento do começo ao fim: a idéia de realizar o ATTACK + foi lançada na internet pela ativista baiana e os artistas dos outros Estados foram se agregando.
Algumas “obras” irão ficar nas ruas, outras fazem parte apenas do momento: live acts de DJs, músicos, VJs e performers. A música também compõe o ambiente do “faça aqui e agora” da street art. Em entrevista, May explica a idéia, o processo e como será a execução dessa invasão.

A TARDE - Como nasceu a idéia de realizar o ATTACK +?
Andréa May - No meu histórico pessoal como produtora/ativista cultural, sempre constaram iniciativas diversas e, hoje, sentindo a necessidade de participar cada vez mais de eventos de artes visuais (com foco principal na street art), organizei a galeria de adesivos e, agora, o ATTACK +, numa tentativa de maior abrangência das técnicas utilizadas pelo movimento e visando a troca de informações nacionalmente.

O que está previsto para acontecer? Por que o Rio Vermelho foi o local escolhido?
O termo “previsto” está superbem aplicado, pois nesse âmbito todas as manifestações ligadas à cultura de rua serão bem-vindas. Até a hora do evento, surgirão novos participantes que se integrarão às ações programadas: performances, live acts, colagens de adesivos, pôsteres, stencil, grafite e intervenções urbanas como instalações e projeções.
O Rio Vermelho é uma passagem quase obrigatória na rota das artes em Salvador. Bares, boemia, beleza natural, tem todo o lado festivo e de aglomeração espontânea à noite e, nos finais de semana, além do astral da rua escolhida, que costumamos freqüentar.

É a primeira vez que uma intervenção desse tipo é organizada no Brasil? E em Salvador?
Acredito que, com esse caráter de simultaneidade, sim. Se formos analisar pela ótica da receptividade e credibilidade que estamos recebendo, artistas das mais diversas cidades se manifestando na web, se articulando entre si (no Rio de Janeiro e em São Paulo ocorreram até simulações chamadas de pré-ATTACK), já existe um ineditismo rolando aí.

Como foi a articulação com os outros Estados para que isso pudesse acontecer em tantos lugares diferentes?
A internet não ajudou, ela foi o único veículo utilizado para a mobilização do ATTACK +. Por meio de fotoblogs, sites relacionados e mailing virtual, contatei muitos dos participantes e isso logo virou uma bola de neve na rede. Na sua maioria, são artistas urbanos, alguns com quem tropeço quase diariamente pelo mundo digital e que também participaram do meu projeto anterior, a Galeria de Adesivos (stickers), a primeira da América Latina, situada no espaço cultural da São Rock, também no Rio Vermelho.

Qual a filosofia que está embutida na ação? Quais são os objetivos?
Acredito que a arte por si só não requer nenhuma explicação. Ela tende a se revelar às pessoas, sendo compreendida ou não. Muito importante também é a aglutinação de expressões que se unem por ideais comuns e que, na totalidade, podem se tornar uma só, com caráter híbrido.

Mote - coletivo de múltiplas mídias
O coletivo Mote reúne videomakers, designers, fotógrafos e DJs de Salvador. Desenvolve e participa de projetos e manifestações culturais, utilizando ferramentas tecnológicas na produção de áudio e imagens.

O ATTACK + é responsável por intervenções imagéticas

Núcleo de Ciberpesquisa da Ufba Projeto “https - high tech total popular stickers”. Lançou uma série de adesivos com base em temas da cibercultura

Projeto Gambiarra Digital, de André Stangl Filósofo, designer e DJ. A principal característica do set é a colagem de diversos ritmos, num movimento que ele mesmo chama de antropofágico.

G.I.A. (interferências urbanas). Grupo de artista oriundos da Escola de Belas Artes, comprometidos em subverter elementos da paisagem urbana.

Tuti Minervino instalação e performance Constrói objetos na linha pop art.

Núcleo Pragatecno
Line up com os DJs Angelis Sanctus, Môpa, Mauro Telefunksoul e Adriana Prates. O Pragantecno é um grupo de DJs de música eletrônica que reúne artistas de vários Estados do País.

Xerel (BH) Contente (RJ) The Yellow Dog (BH) Andrea May (BA) Pulga (PR) Carô Veiga (RJ) Rim (PR) Iansã Negrão (BA) Popdesign (RJ) Bruno Bamzin (RJ) Josmar Madureira (SP) André Leal (BA) Mari Fiorelli (BA) Henrique Montanari Aka Digital Pimp (SP)... e quem mais se habilitar

Serviço
Attack +
Praça Brigadeiro Faria Rocha, Rio Vermelho (próximo à rua Osvaldo Cruz)
Hoje a partir das 16h
Aberto ao público


23/10/2004 Publicada por may


Quando será o proximo attack +?

13/03/2006 11:56 SAMUCA samuel_ru18@yahoo.com.br freefotolog.net/samuca_ru

Quando será o proximo attack +?

13/03/2006 11:54 SAMUCA samuel_ru18@yahoo.com.br freefotolog.net/samuca_ru

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